| [2008] Gestão da Inadimplência Educacional |
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A inadimplência educacional é um fato desde 1994. Com o fim da inflação se iniciou a estabilização da economia brasileira, sendo que ela passou a ser mais notada a partir de meados de 1996, momento em que as instituições de ensino passaram a medir o tamanho do problema para então poderem determinar as ações. A grande maioria das instituições de ensino partiram para ações domésticas, quais sejam a constituição de um departamento interno, quando a cobrança não era feita pelo próprio dirigente educacional, o que tornou a recuperação uma atividade muito penosa, pois os resultados nem sempre eram os esperados. O fato é que a inadimplência veio mesmo para ficar, pois a educação não é prioridade para o brasileiro haja vista que aproximadamente 70 % da população brasileira é pobre, o que a exclui do grupo de pessoas que podem usufruir uma escola particular. Os 30 % restantes são pessoas de classe média, que sofre com o desemprego e com o aumento da carga tributária. O que fazer, então, já que o cenário brasileiro está indicando um país ainda em recessão? O principal é um exercício de cidadania, escolhendo bem os nossos governantes a fim de que consigamos diminuir a corrupção, depois precisamos diminuir a sonegação do setor produtivo como um todo, com isso é possível estimular a diminuição da carga tributária, a qual aumenta para compensar as perdas de receita com a corrupção e com a sonegação. Fazendo isso, certamente iremos diminuir o desemprego e estimular o crescimento. Por outro lado, não podemos ignorar o fato da inadimplência estar crescendo, assim a instituição deve procurar profissionalizar ao máximo o setor financeiro, determinando uma política de cobrança que estabeleça claramente quais serão os passos que a instituição dará visando reduzir a inadimplência, sem perder alunos e recuperando, sobretudo, a sua capacidade de investimento. Muitas têm sido as estratégias adotadas pelos mantenedores nos últimos anos, desde a solicitação de fiador até a cobrança judicial do débito depois de incluir o seu nome no SCPC. Mas o que será que realmente funciona ? O mantenedor deve tomar uma série de medidas, pois somente a somatória delas poderá reduzir a inadimplência a níveis aceitáveis. A instituição deve se preocupar com a inadimplência desde o momento em que contrata um professor até o momento em que contrata um escritório para lhe dar assessoria. Os bons índices de recuperação dependem, então, de uma série de medidas que se espalharão por toda a instituição, pois é imprescindível estabelecer com o aluno um relacionamento próximo, em que a escola mantém contato permanente e criativo.com o aluno. Desta maneira, a escola deve se preocupar em conhecer bem seu aluno no momento da matrícula, obtendo dados cadastrais completos com referências pessoais, comerciais e sócio-econômicas do candidato. Além disso, a escola deve ter um departamento financeiro estruturado que irá contatar o aluno inadimplente logo após o vencimento da mensalidade. Caso o aluno permaneça inadimplente, não adianta a escola continuar cobrando e se irritando. É chegado o momento de enviar os débitos para uma empresa especializada em cobranças educacionais, para então enviar depois para um escritório de advocacia, caso a inadimplência perdure por mais de 90 dias. A cobrança de inadimplentes tem que ser célere e focada e realizada por pessoas capacitadas e treinadas para esse fim. Não existe mais a cobrança feita pelo dono da escola ou pelo reitor. É chegada hora em que a instituição deve profissionalizar a sua administração adotando medidas modernas de gestão visando agregar valor a sua instituição e ao seu cliente. A inadimplência é um problema de um país que está em recessão há mais de 20 anos, todavia, se encarado com isenção e profissionalismo, pode ser reduzido a níveis aceitáveis em qualquer planejamento financeiro. A gestão da inadimplência é uma realidade com resultados concretos. Dr. Luis Fernando Rodrigues, advogado e diretor da Camargo Rodrigues
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